terça-feira, 22 de novembro de 2011


Pessoas com deficiência terão estímulo para
estudar e trabalhar

Plano lançado hoje (17) pelo Governo Federal facilita acesso à escola e ingresso no mercado de
trabalho para quem recebe o Benefício de Prestação Continuada (BPC). O MDS também vai criar
Centros de Referência para atendimento às pessoas com deficiência e alto grau de dependência ou
Pobreza.

Ubirajara Machado/MDS
Plano Viver sem Limite incentivará pessoas com deficiência a ingressar no mercado de trabalho

Brasília, 17 – A presidenta da República, Dilma Rousseff, lançou hoje (17) o Plano Nacional dos Direitos
da Pessoa com Deficiência – Viver sem Limite, que contém medidas de estímulo para as pessoas com
deficiência ingressarem no mercado de trabalho e frequentarem a rede de ensino. Na cerimônia, a
presidenta assinou regulamentação da lei que possibilita que pessoas com deficiência trabalhem sem
perder o Benefício de Prestação Continuada (BPC), do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate
Fome (MDS).

A partir da regulamentação, o beneficiário poderá obter emprego formal e ter o benefício suspenso. Em
caso de perda do emprego, ele poderá retornar ao programa sem ter que passar pelos trâmites iniciais.
Outra novidade é que, durante o contrato de aprendiz profissional, o beneficiário continuará a receber o
BPC até sua inserção total no mercado de trabalho.

O decreto também regulamenta o que pode ser computado no cálculo da renda familiar para obtenção
do benefício e institui critérios para suspensão e reestabelecimento do BPC. De acordo com a Lei
Orgânica de Assistência Social (Loas), a pessoa com deficiência é aquela que tem impedimentos físico,
mental, intelectual ou sensorial, de longo prazo, que lhe dificultam a participação na sociedade em
igualdade de condições com as demais pessoas.

A presidenta Dilma Rouseff anunciou, ainda, a destinação de vagas para pessoas com deficiência em
cursos do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) e a criação de
Centros de Referências da Pessoa com Deficiência, um em cada Estado. Pelo menos 5% das vagas do
Pronatec serão destinadas a pessoas com deficiência nos cursos técnicos de nível médio e de formação.
Para qualificar 150 mil pessoas com deficiência, R$ 409,6 milhões serão investidos.

Inclusão – Atualmente, existem 3,5 milhões de beneficiários do BPC em todo o Brasil, dos quais 1,8
milhões são pessoas com deficiência e 1,7, idosos. O governo federal transferiu neste ano R$ 17 bilhões
diretamente para os beneficiários.

Além da inclusão no mercado de trabalho, os beneficiários do programa com até 18 anos terão estímulos
para frequentar a escola. O plano prevê transporte e acessibilidade nas escolas públicas por meio da
adesão dos municípios ao Programa BPC na Escola.

Está prevista no orçamento do MDS, de 2012 a 2014, a destinação de R$ 12 milhões para as ações de
busca ativa dessa população para inserção no BPC. A busca ativa é uma estratégia de localização da
população extremamente pobre em situação de risco e vulnerabilidade nos municípios. O MDS publica a
relação de beneficiários e as equipes dos Centros de Referência de Assistência Social (Cras) fazem
visitas domiciliares para identificação dos obstáculos que impedem o acesso e a permanência na escola.

Desde que foi lançado, em 2008, o BPC na Escola possibilitou aumento significativo de matrículas de
pessoas com deficiência na rede de ensino. Em 2007, dos 375.340 das crianças e adolescentes
beneficiários, 78 mil estavam na escola. Em 2010, esse número saltou para 229.017 dos 435.928
beneficiários nessa faixa etária.

A segunda fase de adesão ao programa, iniciada em setembro de 2011, busca ampliar a cobertura com
a adesão de todos os municípios brasileiros, o que permitirá estender as ações a outras 308.000
crianças e adolescentes beneficiários do BPC, totalizando cerca de 540.000 beneficiários até 2014.

BPC – A concessão e revisão do BPC são realizadas pelo MDS e pelo Instituto Nacional de Seguridade
Social (INSS), que avaliam periodicamente a deficiência, o grau de impedimento e as condições sociais
da pessoa. O BPC transfere um salário mínimo a idosos com 65 anos ou mais e a pessoas com
deficiência impedidas, a longo prazo, de garantir sua própria subsistência ou de tê-la garantida por sua
família e com renda mensal per capita inferior a um quarto do salário mínimo. É um benefício individual,
não vitalício e intransferível.

A gestão do BPC é realizada pelo MDS, por intermédio da Secretaria Nacional de Assistência Social
(SNAS), responsável pela implementação, coordenação, regulação, financiamento, monitoramento e
avaliação do benefício. A operacionalização é realizada pelo INSS. Os recursos para o custeio do BPC
provêm da seguridade social, sendo administrado pelo MDS e repassado ao INSS, por meio do Fundo
Nacional de Assistência Social (FNAS).

BPC trabalho – O programa atende prioritariamente beneficiários com idades entre 16 e 45 anos que
tenham interesse em trabalhar, mas encontram dificuldades para qualificação e inserção profissional. Um
projeto-piloto está sendo executado nas cidades de São Paulo e Santo André (SP), João Pessoa (PB),
Porto Alegre (RS), Recife (PE), Belém (PA), Campo Grande (MS), Teresina (PI), Fortaleza (CE) e
Curitiba (PR).

No caso de beneficiário aprendiz, com idade entre 14 e 18 anos, a renda do trabalho poderá ser
acumulada com o valor do benefício por um período máximo de dois anos e não é computada na renda
familiar para cálculo de acesso ao BPC.

BPC na Escola - É uma parceria entre governos federal, estaduais, municipais e do Distrito Federal.
Envolve os Ministérios do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Educação, Saúde e a Secretaria
de Direitos Humanos. Tem por objetivo realizar o acompanhamento e monitoramento do acesso e da
permanência na escola das pessoas com deficiência, beneficiárias do BPC, de até 18 anos.

Centros – Os Centros de Referência da Pessoa com Deficiência ofertarão cuidados a pessoas com
deficiência com alto grau de dependência e pobreza, ajudando na autonomia dos beneficiários e na
complementação dos seus cuidados. Os objetivos são prestar apoio às famílias e auxiliar na
complementação dos cuidados da pessoa com deficiência.

As unidades serão vinculadas aos serviços de proteção social especial do Sistema Único de Assistência
Social (Suas). Serão 27 unidades, uma em cada Estado, localizadas em municípios com grande
concentração de beneficiários do BPC. Cada unidade terá capacidade para atender 30 pessoas por dia e
terá equipe de profissionais da assistência social e da saúde para atendimento.

O Governo Federal repassará inicialmente, por meio do Fundo Nacional de Assistência Social (FNAS)
para os fundos municipais, uma parcela de R$ 20 mil para a estruturação do centro. O MDS repassará
também, de forma automática, recurso mensal para o custeio das despesas com equipe técnica,
materiais e manutenção.


Ascom/MDS

(61) 3433 1065